O aguardado remake do primeiro The Witcher pode não ser apenas uma atualização gráfica, mas também uma revisão narrativa profunda. Quem afirma é um dos roteiristas originais do jogo de 2007, levantando a questão de como a CD Projekt Red vai lidar com as diferenças de lore que se consolidaram ao longo da trilogia, especialmente após o aclamado The Witcher 3: Wild Hunt.
Artur Ganszyniec, que atuou como designer de narrativa líder no título original, compartilhou suas reflexões durante uma gameplay comentada do primeiro jogo. Segundo ele, a visão que a equipe tinha sobre a Caçada Selvagem na época do desenvolvimento era bastante diferente do que o grupo se tornaria no cânone da franquia.
“Naquele momento, a Caçada Selvagem era muito mais fiel às lendas europeias que a inspiraram”, explica Ganszyniec. “Nós a víamos como cavaleiros espectrais, arautos de desgraça e presságios da morte, e não como um grupo de elfos com uma motivação política e dimensional.” Ele complementa: “Ainda não sabíamos que eles seriam os elfos Aen Elle em armaduras. Eram entidades, ferramentas do destino.”
Essa diferença fica evidente no clímax do jogo original, onde o Rei da Caçada Selvagem se manifesta não como um elfo poderoso, mas como uma personificação literal e esquelética da morte, uma figura espectral e azulada. É exatamente esse ponto que Ganszyniec acredita que será um desafio para os desenvolvedores do remake. “Essa cena final, onde o Rei da Caçada é a própria Morte, é um ótimo exemplo do que provavelmente precisará ser adaptado”, pontua o roteirista.
O cerne da questão é a evolução da história. Em The Witcher 3: Wild Hunt, lançado em 2015, a narrativa revela que a Caçada é, na verdade, um grupo de poderosos guerreiros elfos de outro mundo (os Aen Elle), que viajam entre dimensões em seus navios espectrais para sequestrar populações e tentar escapar da ameaça do Gelo Branco. Essa reinterpretação complexa e "terrena" dos antagonistas se tornou a versão definitiva para a maioria dos fãs.
Isso coloca a CD Projekt Red diante de um dilema criativo interessante. Por um lado, há a representação mais mitológica e abstrata do jogo de 2007. Por outro, a versão consolidada e popularizada pelo terceiro título, que é a que os jogadores modernos reconhecem e esperam. Adaptar o remake para se alinhar com The Witcher 3 parece o caminho mais provável para garantir a coerência da saga, mas exigirá um trabalho cuidadoso para reescrever partes da história sem descaracterizar o espírito do jogo original.
Vale lembrar que, embora Ganszyniec mencione o desconhecimento da equipe na época, a revelação da verdadeira natureza élfica da Caçada Selvagem já existia nos livros de Andrzej Sapkowski, publicados anos antes do jogo. A decisão de adaptar essa lore para os games, no entanto, só veio mais tarde, solidificando-se como um dos pilares da narrativa da trilogia. Resta saber como o estúdio polonês equilibrará o respeito às origens com a necessidade de contar uma história coesa em seu ambicioso remake.
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