Quando Todd Howard subiu ao palco da E3 em 2018 para mostrar aquele breve vídeo com montanhas e o logotipo de The Elder Scrolls VI, a comunidade de jogadores foi à loucura. Naquele momento, ninguém imaginava que aquele anúncio era apenas um aceno muito distante. O tempo passou e o cenário atual aponta para uma realidade impressionante: o próximo capítulo da franquia deve chegar ao mercado perto de completar 20 anos de distância de seu antecessor, o lendário Skyrim, lançado lá em 2011.
Esperar duas décadas pela sequência de um dos RPGs mais marcantes de todos os tempos parece um absurdo completo. No entanto, esse hiato histórico é o resultado de uma combinação complexa nos bastidores da indústria: escolhas de estúdio, o avanço tecnológico e o peso do próprio sucesso.
1. A fila de produção e o "Efeito Starfield"
O principal motivo para tanta demora não foi a falta de interesse da Bethesda, mas sim a forma como o estúdio organiza seus projetos. Ao contrário de outras gigantes do mercado que dividem seus funcionários em várias equipes gigantescas para trabalhar em franquias diferentes ao mesmo tempo, a Bethesda foca quase todo o seu time principal em um único grande jogo por vez.
Antes de começar a produzir o novo The Elder Scrolls, o estúdio decidiu realizar um sonho antigo de sua liderança: criar o RPG espacial Starfield, lançado em 2023. O desenvolvimento desse universo levou quase uma década e exigiu uma reformulação completa da engine da empresa. Como resultado, The Elder Scrolls VI passou anos travado na fase de pré-produção, contando apenas com uma equipe bem reduzida para desenhar artes conceituais e rascunhar o roteiro, enquanto a produção ativa só começou para valer após a entrega do game espacial.
2. A maldição da longevidade de Skyrim
Outro fator crucial para que a sequência não ganhasse prioridade máxima antes é que Skyrim nunca parou de dar lucro. Lançado originalmente na época do Xbox 360 e PS3, o jogo se transformou em um verdadeiro fenômeno de vendas e ganhou versões para praticamente todas as plataformas imagináveis nas últimas três gerações de consoles.
Além disso, o suporte incansável da comunidade de modders, que cria modificações visuais e de conteúdo gratuitas até hoje, manteve o game moderno e atraente por mais de uma década. Com o título ultrapassando a impressionante marca de 60 milhões de cópias vendidas e gerando receita constante, a distribuidora nunca sofreu aquela pressão financeira imediata que obriga outras empresas a lançarem sequências anuais ou apressadas.
3. A escala monumental dos RPGs modernos
Criar um jogo desse tamanho hoje é um processo completamente diferente de 2011. A indústria de jogos de grande orçamento enfrenta o desafio do aumento de escopo. Para fazer jus ao hardware atual e corresponder à expectativa dos fãs, o nível de detalhamento exigido subiu de forma absurda.
O desenvolvimento atual envolve etapas extremamente complexas:
- Fotogrametria Avançada: O mapeamento e escaneamento em 3D de elementos do mundo real para criar texturas e cenários fotorrealistas.
- Inteligência Artificial Complexa: A criação de milhares de personagens secundários com rotinas de vida próprias e reações dinâmicas às escolhas do jogador.
- Narrativa e Dublagem: Campanhas imensas que acumulam centenas de milhares de linhas de diálogos gravados por atores profissionais.
O que esperar do futuro em Tamriel?
Mesmo que a Bethesda guarde os detalhes sob sigilo absoluto, as pistas deixadas no teaser original e em artes conceituais indicam que a nova jornada deve se passar em Hammerfell (a terra dos Redguards) ou em High Rock (a pátria dos Bretons), regiões conhecidas por suas paisagens montanhosas, desertos e fortes conflitos políticos medievais. Como a empresa agora faz parte do ecossistema do Xbox, o projeto conta com orçamento praticamente ilimitado e chegará direto no serviço Game Pass no dia do lançamento.
A Bethesda carrega nas costas a responsabilidade de atender à maior expectativa da história dos RPGs. O risco de o público sentir que o resultado final "não compensou os 20 anos de espera" é real. No entanto, se o estúdio conseguir resgatar aquela velha sensação de liberdade e descoberta que tornou a franquia famosa, o mundo dos games certamente vai parar mais uma vez para explorar esse universo.
Adolfo A. Coradini
É criador de conteúdo e especialista em jogos de rpg e mods de sandbox, cobrindo a indústria de games há mais de 15 anos. Apaixonado por tecnologia e novidades do mundo dos jogos.
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